Fonoaudióloga Ingrid Rangel

CRFa. 11127 - RJ

Prevenção, Reabilitação e Consultoria
em Comunicação Humana

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Informações Úteis


Quem é e o que um fonoaudiólogo pode fazer pela sua saúde?

O Fonoaudiólogo é o profissional da área da saúde, de atuação autônoma e independente, que exerce suas funções nos setores público e privado.

É responsável pela promoção da saúde, avaliação, diagnóstico, orientação, terapia (habilitação e reabilitação) e aperfeiçoamento dos aspectos fonoaudiológicos da função auditiva periférica e central (audição), função vestibular (equilíbrio), linguagem oral e escrita (raciocínio, memória, construção do pensamento, leitura, compreensão), voz, fluência, articulação da fala, sistema miofuncional orofacial e cervical (musculatura e sensibilidade da face, boca, pescoço) e deglutição.


Quem deve procurar um fonoaudiólogo?

Qualquer pessoa que use a voz profissionalmente - professor, advogado, cantor, ator, padre, pastor, político etc. - deve procurar um fonoaudiólogo. Desta forma, evitará problemas futuros e poderá usufruir de técnicas e métodos para falar mais fluentemente, com segurança, sem provocar abusos e sem danificar seu sistema fonador.

Uma vez que geralmente o atendimento precoce é mais eficaz, deixa menos seqüelas e é mais benéfico ao paciente, deve procurar um fonoaudiólogo qualquer pessoa que apresente os sintomas ou características descritas a seguir:

  • tem a sensação de que está ouvindo menos (só responde quando gritam, ouve o rádio ou a TV muito altos etc.);
  • vem sentindo o ouvido "cheio de água" ou ouvindo zumbidos e barulhos (como o chiado de um grilo ou o barulho de uma cachoeira);
  • tem tonteiras ou vertigens freqüentes;
  • se criança, apresenta qualquer alteraçao do desenvolvimento. (Por exemplo, não faz o que as outras crianças habitualmente fazem na mesma idade - com mais de 1 ano ainda não anda ou fala, tem 4 anos e ainda troca as letras etc.);
  • apresenta problemas na leitura e na escrita (independente da idade: podem ser crianças, jovens, adultos ou idosos, principalmente após episódio traumático, acidente, derrame ou situação afim);
  • tem dificuldades na aprendizagem escolar (dificuldade com cálculos, coleciona notas vermelhas na escola mesmo quando estuda etc.)
  • sente sua voz rouca, enfraquecida, alta ou baixa demais, tem dor ao falar ou depois de falar;
  • foi operado para retirar tumores da boca, língua ou garganta;
  • é disfluente (gago) e se sente incomodado com isso;
  • apresenta alteraçoes na articulação da fala - tem "língua presa", "lábio leporino", "goela de lobo", é "fanho", tem paralisia facial (não mexe metade da face) etc.;
  • respira pela boca e frequentemente está de boca aberta e com saliva ("baba");
  • vai usar ou está usando aparelho para correção dos dentes (correção ortodôntica);
  • está iniciando uso de prótese dentária total ou parciais (dentaduras ou Roaches) e nao consegue falar como antes;
  • tem dificuldade para engolir, engasga freqüentemente, sente dor para engolir ou "baba".

Cuidados que você deve ter com a sua voz (Práticas de higiene Vocal):

  • beba pelo menos 2 a 3 litros de água em temperatura ambiente, em goles pequenos, ao longo do dia. Não adianta beber tudo de uma vez!
  • durma bem. No mínimo 8 horas por noite.
  • dê preferência aos alimentos leves e de fácil digestão.
  • devido à difícil digestão, evite alimentos gordurosos e "pesados" antes de fazer uso da sua voz. Esses alimentos podem desencadear, principalmente em pessoas predispostas, refluxo gastresofágico e prejudicar a qualidade da sua voz. (Deitar-se depois de ingeri-los também pode favorecer ao refluxo gastresofágico.)
  • evite usar roupas, lenços e sapatos apertados quando for fazer uso prolongado de sua voz. Isso pode dificultar a respiração, e é a sua adequada respiração que deve dar suporte a toda a sua fala: NÃO a sua laringe!.
  • faça um bom aquecimento vocal antes de fazer uso de sua voz profissionalmente ou quando for falar por longos períodos de tempo.
  • coma maçãs! As maçãs possuem propriedades adstringentes que auxiliam na limpeza da boca e da faringe o que favorece uma voz com melhor ressonância. Além disso, os movimentos mastigatórios exagerados auxiliam na mobilidade e relaxamento da musculatura facial.
  • evite mudanças bruscas de temperatura, sobretudo após já ter feito o aquecimento vocal. A ingestão de bebidas geladas é um tipo de choque térmico brusco!
  • evite permanecer em ambientes fechados, em especial aqueles com ar-condicionado. Isso provoca o ressecamento do trato vocal, inclusive das pregas vocais. E não freqüente ambientes com mofo, poeira ou cheiros muito fortes.
  • jamais pratique competição sonora em lugares muito barulhentos. Caso não seja possível calar-se em ambientes assim, use mais sua capacidade gestual e articulatória.
  • antes de usar sua voz, é terminantemente proibido fumar (cigarro, maconha ou qualquer outro cigarro), ingerir bebidas alcoólicas, usar drogas, inclusive sprays, pastilhas, "balinhas caseiras" e analgésicos. Tudo isso faz com que você perca o controle e a autonomia seu corpo e sobre a emissão de sua voz permitindo, assim, que você cometa muitos abusos vocais.
  • e atenção: mascar gengibre só alivia a dor de garganta e não traz benefício para a voz!

Meu filho respira pela boca. E agora? O que eu faço?

Observe se seu filho tem alguma(s) dessas características:

  • tem a cabeça projetada para frente e os ombros caídos - parece "corcunda";
  • apresenta muita olheira e o olhar é apagado;
  • tem o queixo afundado e o céu da boca muito alto;
  • parece que está faltando espaço na boca para os dentes;
  • mantém a boca aberta, podendo às vezes se ver a língua entre os dentes;
  • mastiga os alimentos de boca aberta;
  • bebe muito líquido durante as refeições;
  • o lábio fica ressecado (descascando) ou sempre molhado, com saliva escorrendo;
  • tem as bochechas moles e/ou caídas;
  • enquanto dorme, seu filho ronca, baba e tem um sono muito agitado;
  • vive cansado e sonolento durante o dia;
  • não vai bem nem nos esportes nem nos estudos.

Se seu filho(a) apresenta pelo menos uma dessas características, ele pode ser portador da Síndrome do Respirador Oral (SRO).

A respiração normal deve ser feita pelo nariz e não pela boca. O nariz é o único órgão capaz de aquecer, umidificar e filtrar adequadamente o ar que chegará aos pulmões. Se a criança possui o hábito ou a necessidade de respirar pela boca (devido a hábitos inadequados, alergias, resfriados, gripes de longa duração, adenóide, estreitamento das narinas e nariz, desvio de septo, etc.), se torna um portador da SRO.

A SRO é um conjunto de sintomas. São eles:

  • problemas respiratórios (falta de ar, sinusites, rinites, bronquites);
  • alterações dentárias;
  • modificações na estrutura óssea corporal e da face (face longa com olheiras, problemas posturais, ombros caídos);
  • distúrbios auditivos (dores de ouvido freqüentes e até mesmo diminuição da audição);
  • flatulência (gases);
  • alterações na voz e na fala, dentre outros.

A SRO compromete em muito a qualidade de vida da criança bem como seu desenvolvimento global, chegando a níveis insuportáveis de stress onde a criança não consegue descansar durante o sono, torna-se ansiosa, sonolenta e, como conseqüência, vai mal nos estudos e nos esportes.

O portador de SRO faz compensações que podem agravar os problemas já existentes e gerar ainda outros trazendo mais disfunções e doenças para todo o organismo. Devido a isso, o tratamento da SRO é complexo e requer, conforme o caso, a intervenção de vários profissionais tais como fonoaudiólogo, dentista, médico e fisioterapeuta.

A Síndrome do Respirador Oral deve, portanto, ser detectada e tratada o mais cedo possível.


Vamos falar sobre gagueira?

Falar é uma aprendizagem que se desenvolve ao longo da vida. É a forma de expressão oral dos seres humanos. É um comportamento que depende de muitos fatores, tais como: desejo e necessidade de se comunicar, integridade dos órgãos da fala e conhecimento que se tem da língua. Há tantos modos diferentes de falar quanto a imensa variedade do ser humano.

Gaguejar é uma aprendizagem que se desenvolve ao longo da vida. É uma ação natural própria da fala. Hesitar ao falar, retroceder na formulação da frase ou do pensamento é natural em qualquer pessoa, em algum momento. A freqüência com que esse comportamento aparece na fala faz diferença entre ser estigmatizado como "gago" ou "fluente".

Assim como a pessoa desenvolve a fala, também desenvolve a gagueira. O indivíduo vai "aprimorando" seu gaguejar, sem perceber. Com o tempo, vai adicionando outros componentes a sua forma de falar, passa a fugir de determinadas palavras ou situações. Essa agregação de comportamentos ao falar cresce como uma grande bola de neve, que, desgovernada, destrói a segurança, a auto-estima e os relacionamentos da pessoa.

No entanto, ainda mais importante do que a avaliação dos outros ouvintes sobre a sua fala , é a sua opinião que conta. É você que faz a diferença entre ser gago e ser fluente. É você que determina se você é gago ou está gago, é fluente ou está fluente.

O primeiro passo para você descobrir se você é/está gago é observar a si mesmo e observar outros (vários) indivíduos em situação de fala. Veja o que você faz e o que eles fazem enquanto falam. Verifique aquilo de que gosta e de que não gosta em sua própria fala e nas dos outros. Use o bom-senso, e não seja nem muito crítico nem muito piedoso. Não tenha medo de confrontar o seu falar com o deles!

Se ainda assim você achar que é gago, procure um fonoaudiólogo. Ele é o profissional habilitado a lhe orientar e esclarecer sobre esse assunto.


Calatonia, você conhece?

"Às vezes, nos momentos mais difíceis,
nascem os grandes milagres.
Foi assim com a Calatonia."
(Amélia Kassis, Psicóloga)

Histórico

Segunda Guerra Mundial. As neuroses se multiplicavam diante de tantas perdas e privações. As amputações eram feitas sem morfina. Era praticamente impossível estabelecer um limite entre o traumatismo físico e o sofrimento psicológico que atingia os indivíduos, principalmente os feridos na guerra.

Em meio à escassez e à miséria, um médico húngaro, Pethö Sandor, atento às estreitas relações existentes entre os processos corporais e o funcionamento psicoemocional, tentou sem sucesso utilizar os métodos de relaxamento comuns na época. Porém, a saturação das condições destes pacientes não lhes permitia a concentração e a colaboração necessárias a suas aplicações.

Foi a partir daí que Sandor desenvolveu a técnica de toques sutis capazes de aliviar o sofrimento humano. Ele observou que além da medicação costumeira e dos cuidados de rotina, o contato bipessoal, nele incluso a manipulação suave nas extremidades e na nuca, com certas modificações leves quanto à posição das partes manipuladas, produzia descontração muscular, comutações vasomotoras e recondicionamento do ânimo dos operados.

Em 1949, o médico se estabeleceu em São Paulo, onde seus métodos foram solidificados. Aos poucos, foi sistematizando um deles, que denominou de Calatonia. Sandor veio a falecer a 28 de Janeiro de 1992, ainda em plena atividade criativa.

O que é a Calatonia?

A Calatonia é um método de relaxamento profundo que leva à regulação do tônus, promovendo o reequilíbrio físico e psíquico do indivíduo.

Baseia sua atuação na sensibilidade táctil da pele e condiciona o corpo mediante a aplicação sutil e monótona de estímulos suaves em áreas do corpo onde se verifica especial concentração de receptores nervosos.

O Método Calatônico, enquanto método de relaxamento, visa a promover efeitos de soltura e/ou distensão muscular, a regulação do tônus.

Mas sua atuação vai além do nível apenas muscular, promovendo também reorganizações psico-fisiológicas em vários níveis.

Na Calatonia ocorre um ajuste espontâneo do organismo, uma regulação do tônus no sentido de maior flacidez ou rigidez muscular e de maior ou menor ampliação da consciência pelo aflorar de conteúdos inconscientes de acordo com a necessidade e com a possibilidade de cada indivíduo.

É devido a todas essas características e feitos que a Calatonia tem imensa aplicabilidade em várias alterações fonoaudiológicas, tais como afasias, atraso de linguagem, atraso do desenvolvimento psicomotor, TDAH - transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, disfonias, gagueira e paralisia facial, dentre outras.

Como age sobre o indivíduo?

O procedimento básico da Calatonia consiste em uma série de toques que o terapeuta realiza em vários pontos do corpo do cliente. Estes toques são feitos de forma simples e suave. Em princípio, os estímulos vão atuar somente sobre a pele da pessoa que os recebe.

É necessário lembrar que a pele é o principal órgão sensorial porque cada milímetro dela é provido de numerosas estruturas neurológicas capazes de captar e conduzir os variados tipos de estímulos: calor, frio, pressão etc. Além disso, as células que dão origem à pele provêm do mesmo folheto embrionário (ectoderma) do qual se forma o sistema nervoso. Nas palavras do pesquisador Montagu: "O sistema nervoso é uma parte escondida da pele ou, ao contrário, a pele pode ser considerada como a porção exposta do sistema nervoso".

Visto isso, percebe-se que esses toques sutis vão atuar sobre os inúmeros receptores nervosos da pele e vão além propagando-se através das vias neurológicas aos quais estão conectados para o sistema nervoso como um todo. Em cada pessoa, a expressão da Calatonia se dará de forma particular e peculiar, atuando em vários níveis sobre a complexa estrutura psicofísica de cada indivíduo e promovendo reequilibrações do sistema psicofísico.

Inúmeras vezes, quando o indivíduo tem a oportunidade de falar sobre si, surge o tema do corpo e suas manifestações e com ele as queixas que ainda são designadas como psicossomáticas. Na verdade, todas as manifestações humanas são físicas e psíquicas, logo, todas são psicossomáticas, e não somente aquelas que se manifestam predominantemente no corpo.

Portanto, podemos dizer que a Calatonia, enquanto método de relaxamento, visa a promover efeitos de soltura e/ou distensão muscular. Ou seja: favorecer a regulação do tônus. Mas sua atuação vai além do nível apenas muscular, promovendo também reorganizações psico-fisiológicas em vários níveis.

A relaxação proporcionada pela Calatonia provoca um estado que mobiliza e traz à tona conteúdos inconscientes em forma de imagens, pensamentos, sentimentos, lembranças, sensações visuais e/ou olfativas. Podem surgir reações fisiológicas e/ou motoras (como "sensações", ou movimentos mais ou menos sutis, tremores etc.), ao nível afetivo/emocional (na forma de recordações, associações etc.) ou ainda alterações do estado de consciência análogas àquelas promovidos pela meditação, com a eventual recordação de imagens.

Enquanto recebe a Calatonia, o indivíduo libera conteúdos conhecidos apenas pelo inconsciente e resgata sentimentos ou perturbações, como forma de defesa, já esquecidos. Sua ação nem sempre vai coincidir com efeitos agradáveis e relaxantes, visto que tal método incide sobre a complexidade e as contradições que têm lugar nesse organismo.

Os efeitos do Método Calatônico, de acordo com seu idealizador, não devem ser esperados a priori, mas podem consistir na obtenção de um tônus corporal mais solto e descontraído de modo típico a cada indivíduo e em harmonia com o meio ambiente.



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